O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou, na quarta-feira (18/09), o segundo relatório de Transparência Salarial deste ano, revelando que as mulheres ganham, em média, 20,7% a menos do que os homens em todo o Brasil. O levantamento foi baseado em dados de aproximadamente 50,7 mil empresas com 100 ou mais funcionários. Na primeira edição, publicada em março, a diferença salarial era de 19,4%, indicando um aumento na disparidade.
As informações foram extraídas da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), apresentada por essas empresas em 2023, e consideram apenas empregos formais. O Ministério do Trabalho não disponibilizou dados detalhados por município, mas as informações mais recentes sobre Petrópolis, de 2019, mostraram uma disparidade de 7%. Enquanto os homens recebiam, em média, R$ 2.620,40, as mulheres tinham um salário médio de R$ 2.437,00, ou seja, R$ 183 a menos.
Os dados foram coletados pela plataforma SmartLab, uma colaboração entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT Brasil). A plataforma também revela que a diferença salarial se acentua quando se analisa raça/cor e cargos de liderança.
Diferença salarial por raça
Em média, um homem branco recebia R$ 2.671,20, enquanto uma mulher branca ganhava R$ 2.241,80 (16,1% a menos). O homem negro tinha um salário de R$ 2.106,50 (21,1% abaixo do homem branco), e a mulher negra recebia apenas R$ 1.774,70, representando uma disparidade de 33,6%.
Cargos de direção: uma diferença de mais de R$ 10 mil
A disparidade também é significativa em cargos de liderança. Embora as mulheres ocupem 61,6% das posições de direção, seus salários são drasticamente inferiores: enquanto os homens recebem, em média, R$ 16.949,50, as mulheres ganham R$ 6.786,20. Isso equivale a apenas 40% do salário masculino, resultando em uma diferença de R$ 10.163,30.
Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral
Diante dessas desigualdades, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral entre Mulheres e Homens, apresentado junto aos dados em Brasília. O plano prevê um investimento de R$ 17 bilhões em 79 ações voltadas para aumentar a presença das mulheres no mercado de trabalho, promover sua ascensão a cargos de direção e combater discriminações no ambiente de trabalho.
“A desigualdade salarial entre homens e mulheres é resultado de várias formas de discriminação e exclusão no mercado de trabalho. Os relatórios de transparência salarial têm reafirmado essa realidade. A entrega do Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral representa uma resposta a essa situação, com 79 ações integradas envolvendo diferentes ministérios. Nossa meta é reduzir essa desigualdade até que ela cesse completamente. O Brasil já é um exemplo na criação de leis sobre transparência salarial; agora queremos ser um modelo na implementação dessas ações”, afirmou a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.